domingo, 8 de julho de 2007

Poderosa ilusão de paz ronda o ambiente,
ao longe pequenos gritos
misturam-se aos gritos dos pequenos.

Suspenso no ar um nada,
uma friagem premonitória,
augúrios, um porvir de medos.

Arrastam-se pelos cantos
silhuetas de olhar trespassado.
os rostos sérios fazendo com que corras,
teu semelhante é a verdadeira imagem do demônio.

A paisagem é cataclísmica,
casas fantasmas sem cor
deixam passar pelos buracos das paredes
qualquer resto de sol,
qualquer resto de lua,
qualquer resto de vida que não desejasse ser visto.

Minha terra branca de crianças anjo
tens agora a cor das armas,
do sangue coagulado.

Avança estranha,
indiferente ao azul daquele céu,
a poeira que se levanta deste solo triste.
Subtraí o tudo que tinha que,
dividi o disseram para,
noves fora aquilo que esperavam de mim.
Multipliquei o tanto que me devia,
somei a outro tanto sonhado,
calculei mdc, mmc, primo, nulo, raiz, quadrado.
Resultou-me a dízima,
sempre periódica,
da vida até aqui levada.

terça-feira, 3 de julho de 2007


Paul Signac
Casas pequenas enfileiradas,
marinheiros prontos para o embarque.
Os barcos jogados pelo movimento das águas,
pássaros marinhos e seus gritos -
estranhos cantos.
O cheiro do mar e teu gosto -
lágrima abandonada no cais.
Pura paisagem de fim de tarde...
Não sei o que você queria de mim,
mas me disse adeus de uma forma tão bonita
que passei a acreditar:
você desejava transformar-se em poesia.