quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Verbetes


Marc Chagall


Devagar, sem pressa,
suavemente, sem brusquidão.
De forma progressiva,
divagar...
Caminhar sem rumo,
falar coisas sem nexo, desvairar.
Fugir do assunto, desconversar,
soltar o pensamento, sonhar...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Jouir de vivre

Claude Monet - Le dejeuner

Surreal !, a tigela de cereal no café matinal
destoando do pegajoso mingau -
insistente ao deixar sua baba no florido avental.
Ah, se me fosse dado o dom natural !
Eu comporia uma bucólica pastoral...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Silogismo aliterante




Paul Cézanne - The Black Clock, 1870



No espaço discursivo de meu sistema, experimento
a substancialidade da desorganização de minha forma,
a matéria de minhas memórias desencontradas -
invenções de ser e tempo.

Entre o ser e o nada
pende a poética reconciliada pelo temor.
Silêncio!, pois ainda há tremor...

Sou humano, demasiado humano,
e saboreio o nada saber em meio a durée deste dubitar.
Insisto, logo, concluo: ainda sonho que existo!,
e não há relógio a alarmar o meu despertar.

sábado, 27 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

One year later ...

George Grosz - The Lovesick Man - 1916


Sim, aqui estou eu,
raízes fincadas
de onde fui arrancada.
Sim, agora não há happy end,
é só o tempo que se estende
trazendo a palavra ritmada
em coreografia marcada.
Sim, aqui estou eu,
no ponto zero de minha escala,
no zênite de meus planos,
com minha cara dada ao tapa
para mais alguns anos.