domingo, 20 de maio de 2007

Virgínia

A dor não permite perceber as cores –
O azul já roxo das flores,
Um amarelado do chão com areia.
Em outros olhos pode notar o quanto os seus estão
Vermelhos, inchados.
E se pudesse sentir como eles, sorrir.
Como serão aquelas vidas anônimas sempre em festa,
Sempre celebrando novos ares.
O seu corpo parecendo acompanhá-la há gerações,
Pesa com uma idade não correspondida.
As lembranças somem em qualquer quarto de algum
Lugar indefinido.
Os rostos são mosaicos, um pedaço de cada
E a luz passando pelos cortes.
Tudo foi um grande desperdício:
De vida, amores, solidões,
Gozos estúpidos, falsos gemidos, vazio...
Imensos vazios.
Agora o rio lembra a cama derradeira,
Com seus lençóis quentes, travesseiros,
O descanso para alma desistente.
Ainda se pergunta porque não percebeu
A festa que todos freqüentavam.
Os pés, sempre bonitos,
(sim, ela tem pés muito bem feitos, foi o que lhe disseram)
vacilam na beira, mas não há duvidas,
desta vez ela é toda certeza, e voa,
atira-se naquela cama como se fosse a do quarto dos pais,
onde, finalmente, consegue dormir sem medo, protegida do mundo.

Um comentário:

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